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Angelina Jolie demonstra talento e competência em seu segundo longa-metragem como diretora

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O cinema se notabilizou por trazer às telas adaptações de ilustres e heróicas personalidades, sejam elas do próprio universo cinematográfico como no recente drama biográfico Hitchcock (2012), sobre os bastidores do aclamado filme do cineasta britânico, Psicose, Psycho (1960) ou retratar figuras políticas como JFK, A Pergunta que Não Quer Calar, JFK (1991) ou no também recente Lincoln (2012) sobre o icônico presidente norte-americano que lutou bravamente pela abolição da escravidão. A música com os seus célebres personagens como o vocalista Jim Morrison, líder de uma das bandas mais influentes de todos os tempos o The Doors, no longa dirigido por Oliver Stone, The Doors (1991), o saxofonista Charlie Parker levado aos cinemas por Clint Eastwood em Bird (1988) e o pianista e cantor Ray Charles que teve sua história retratada em Ray (2004), entes outros, também tiveram suas histórias retratadas no cinema.

Outras dezenas de peronalidades sejam elas atletas, romancistas, bailarinos, cientistas, ou até mesmo cidadãos comuns, anônimos do grande público, como os poucos sobreviventes dos genocídios ocorridos nos campos de extermínio durante a Segunda Guerra Mundial ou os muitos soldados que foram atirados no campo de batalha para lutarem em guerras sangrentas, todos estes, de uma forma ou de outra, tiveram suas histórias imortalizadas no cinema por seus atos de coragem ou por seus ideiais de justiça e conduta moral frente às questões éticas, raciais e políticas.

O recente trabalho, atrás das câmeras, da atriz e diretora norte-americana Angelina Jolie, é sobre uma destas famigeradas personalidades, que vez ou outra, surgem para nos presentar com lições de bravura e redenção frente às adversidades do destino.

Em Invencível, Unbroken (2014), adpatado do livro Invencível: Uma História de Sobrevivência, Resistência e Redenção, escrito por Laura Hillenbrand, Jolie retrata a história real do atleta olímpico Louis Zamperini (1917-2014), que sofre um acidente de avião e cai no mar. Zamperini luta durante 47 dias para reencontrar a terra firme, e quando consegue, é capturado pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.

Essa não é primeira vez que Jolie se aventura atrás das câmeras. A estréia como diretora se deu em Na Terra de Amor e Ódio, In the Land of Blood and Honey (2011) que conta a história de Ajla (Zana Marjanovic) e Danijel (Goran Kostic) que se conhecem em uma boate. De imediato eles começam a flertar um com o outro, mas a explosão de uma bomba acaba com qualquer clima existente entre eles. Era o início da Guerra da Iugoslávia, que colocaria sérvios e bósnios como inimigos mortais.

Em seu novo trabalho, Jolie além de dirigir o longa assina também a produção. O roteiro ficou à cargo da renomeada e premiada dupla de diretores, produtores e roteiristas os irmãos Joel e Ethan Coen, responsávies por obras-primas como Barton Fink: Delírios de Hollywood, Barton Fink (1991), O Grande Lebowski, The Big Lebowski (1998), Onde os Fracos Não tem Vez, No Country for Old Men (2007) entre outros.

Em seu segundo longa-metragem, Jolie apoiada por uma atraente história de superação baseada em um personagem real, cercada por atores competentes e uma produção digna dos grandes filmes do gênero, não desperdiça em momento algum a chance de realizar um excelente trabalho. A cineasta opta por conduzir o filme de maneira equilibrada e sóbria, limitando-se a retratar a vida do seu autobiografado de forma contudente e objetiva, sem se deixar levar pelo sentimentalismo piegas, que muita das vezes destroem uma boa história.

Não é de se estranhar que o tema guerra atraí a atenção de Jolie, haja visto seu fervoroso envolvimento em causas humanitárias, como em seus trabalhos com refugiados, atos estes, que a condecoraram como Embaixadora da Boa Vontade para o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Outro, que de certa maneira pode-se dizer familiarizado com o tema, é o ator britânico Jack O’Connell. Conhecido por interpretar recentemente personagens psicologicamente conturbados, que convivem com a obscuridade do medo em detrimento à possibilidade, por muita das vezes impossível de salvação como retratado nos filmes Starred Up (2013) e ’71 (2013) ambos ainda sem data prevista de estréia no Brasil e que lhe renderam alguns prêmios por suas convincentes atuações. O’Connell, pelo menos agora, devido à sua competente interpretação dada ao personagem principal do longa de Jolie, pode sonhar em voos mais altos dentro da indústria cinematográfica americana. O ator venceu recentemente a premiação realizada pelo Hollywood Film Awards na categoria New Hollywood Award.

Por outro lado, Jolie poderá aparecer na cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o Oscar, não somente como convidada para a festa, mas sim como uma das possíveis candidatas para receber a estatueta, e juntar-se à sua conterrânea Kathryn Bigelow, única mulher na história da premiação a receber o Oscar como diretora. Curiosidades e coincidências à parte, Bigelow recebeu a estatueta há cinco anos pelo filme Guerra ao Terror, Hurt Locker (2008), também um drama de guerra.

Pode-se dizer de passagem, que mesmo se for premiada com a estatueta como Melhor Diretora, essa não será a primeira vez que Jolie receberá o prêmio, guardada é claro, as devidas proporções. Vale lembrar que Jolie venceu o prêmio como Melhor Atriz Coadjuvante, além do Globo de Ouro por sua atuação como uma charmosa sociopata em Garota, Interrompida, Girl, Interrupted (1999).

E ao que tudo indica, Jolie tomou gosto pelo ofício. Ainda esse ano poderemos vê-la novamente atrás das câmeras numa nova produção com o título By the Sea. Além de atuar, produzir e roterizar a obra, Jolie dirigirá a si mesma e seu marido, o também ator Brad Pitt.

Invencível tem estréia prevista no Brasil para o dia 15 de Janeiro.

(Pedro Giaquinto)

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