Arquivo mensal: abril 2014

O Punk Como Forma de Expressão

vi-ar-bast-we-are-the-best_1-memfis-film-p-a-jorgensen

Logo após o declínio do rock progressivo, que dominou o cenário musical da metade dos anos 60 até pouco mais da metade da década seguinte, surgiu um movimento musical e cultural intitulado punk rock, que tinha como características principais músicas curtas, rápidas, barulhentas e tocadas com o uso de poucos acordes. As letras rebeldes e sarcásticas abordavam ideais politicos anarquistas, niilistas e revolucionários. Os problemas sociais enfrentados pelas classes menos favorecidas como o desemprego, também eram inseridos nas letras que ainda abordavam temas como a guerra, violência e drogas. Os relacionamentos e o sexo também tinham o seu espaço nas enfurecidas canções. Bandas como Ramones, Sex Pistols, Stooges, MC5, New York Dolls, The Clash entre outras, fizeram grande sucesso entre os amantes do gênero. O punk rock se espalhou por todas as partes do mundo com sua linguagem agressiva e a filosofia “Do It Yourself” (Faça Você Mesmo, em português).

O cinema, como não poderia deixar de ser, retratou em uma grande quantidade de filmes o movimento musical que, chocou a grande maioria das pessoas em meados da decada de 70, por vociferar contra um Estado repressor e a favor da liberdade de expressão. Surgiram filmes que retrataram o estilo da vida punk como Suburbia, Suburbia (1984), Sid & Nancy – O Amor Mata, Sid and Nancy (1986) e SLC Punk!, SLC Punk! (1999), além de documentários como Geração Punk, Blank Generation (1980), Punk: Attitude, Punk: Attitude (2005) e o muito bom e altamente recomendável Botinada: A Origem do Punk no Brasil (2006), dirigido pelo ex- VJ da extinta MTV Gastão Moreira ou até mesmo  produções como o excelente A Festa Nunca Termina, 24 Hour Party People (2002) do britânico Michael Winterbottom, que misturava eventos reais e ficcionais com rumores e lendas sobre o punk.

Aos saudosistas daqueles tempos, no qual a rebeldia da juventude contra o sistema político era transformada em música, chega aos cinemas do Reino Unido e República da Irlanda, o novo filme do diretor sueco Lukas Moodysson, Nós Somos os Melhores, We Are the Best! (2013).

O filme, ambientado na Suécia no ano de 1982, narra a história de Bobo (Mira Barkhammar) e Klara (Mira Grosin) pré-adolescentes, amigas inseparáveis e fãs do punk rock. Elas se sentem ignoradas e deslocadas na escola e em família, já que todos dizem que o punk morreu. Um dia, como provocação a um grupo de garotos, elas resolvem montar uma banda. Logo, convidam para o grupo Hedvig (Liv LeMoyne), devido ao seu talento musical. Entretanto, Hedvig é cristã e nada tem a ver com o estilo punk, tendo que ser iniciada no movimento pelas enstusiasmadas garotas.

Na Suécia de Moddysson, bandas como Ebba Grön e KSMB foram os principais nomes da cena musical punk rock que, no início da década de 80, começava a amargar o seu declínio em detrimento ao interesse comercial da indústria musical. A perda da irreverência e o desprezo pela sociedade, tornaram-se irrelevantes dentro da nova cena musical, que surgia no final da década de 70, a new wave. O novo estilo musical incorporava música eletrônica, experimental e disco. Na tentativa de se opor à new wave, os suecos, remanescentes do punk rock, aderiram ao hardcore, que tinha como características princiais as músicas tocadas de forma mais rápida e agressiva, embora preservasse as canções curtas e as letras politizadas do punk rock.

O cineasta sueco, em seu novo trabalho, não se mostra preocupado em debater as influências do punk rock na sociedade sueca da epoca. O cenário musical é apenas pano de fundo para situar as três pré-adolescentes, dentro de um contexto social, que possibilita a contra-argumentação como forma de contestar as regras estabelecidas em uma das etapas mais intensas do desenvolvimento humano, repleta de transformações, dúvidas e questionamentos. E nada seria mais instigante do que contextualizar a cena punk para tratar temas como a rebeldia e as desilusões na pré-adolêscência, quando as descobertas estão envoltas de muita dor e sofrimento, sentimentos geralmente encontrados nas letras do punk rock.

Moddysson retoma temas que já havia trabalhado em seu primeiro longa-metragem, Amigas de Colégio, Show me Love (1998), entre eles o amor inocente e por muitas vezes cruel que antecede a adolescência, o preconceito e o bullying, fenômeno que se desenvolve no ambiente escolar e ultimamente tem recebido maior atenção da mídia em geral.

Depois do gênio Ingmar Bergman (1918-2007), realizador de inúmeras obras-primas, entre elas, O Sétimo Selo, The Seventh Seal (1956), Persona, Persona (1966) e O Ovo da Serpente, The Serpent’s Egg (1977), não é por acaso que Lukas Moodysson, é um dos maiores expoentes da nova geração de diretores suecos com reconhecimento internacional, tendo realizado grandes trabalhos como o já citado Amigas de Colégio, a belíssima e sensível comédia Bem-Vindos, Together (2000) e Para Sempre Lilya, Lilja 4-ever (2002) que retrata de forma visceral e dramática o tráfico humano e a escravidão sexual. Ambos os filmes ganharam notável reconhecimento de crítica e receberam vários prêmios em diversos festivais de cinema.

Em Nós Somos os Melhores, as três personagens têm caracteristicas distintas dentro da obra. Bobo sonha com a conquista de um grande amor, à exemplo de sua mãe, sempre envolvida em relacionamentos amorosos conturbados e fugazes. Já Klara é a personificação da rebelde sem causa, vinda de uma família liberal, na qual os pais não a repudiam por gostar de uma música violenta e radical. Hedvig, ao contrário, é uma garota reprimida e introspectiva, que encontra na ideologia punk a chance de se libertar da rigída criação religiosa estabelecida por sua família.

É fato que o punk, enquanto movimento musical, morreu há mais de três décadas e deu lugar a um pop punk engomado, criado por uma indústria cultural que visa a massiva venda do seu produto, colocando rostos jovens e bonitos com corpos tatuados vestidos em roupas pseudo-punks compradas em lojas de shopping centers. Por outro lado, a atitude da ideolgia punk, que gritava para o mundo a favor de revoluções para transformar uma sociedade desigual, corrupta e preconceituosa, esta sim, continua viva.

O filme estréia em 30 de maio nos Estados Unidos. No Brasil, o longa foi exibido no Festival do Rio no ano passado, mas ainda não tem previsão de estréia no circuito comercial. Resta aguardar para ver o resultado do novo trabalho do cineasta sueco, que demonstrou ter fôlego para realizar trabalhos, que continuem retratando de forma comovente o diversificado e complexo universo das relações humanas.

(Pedro Giaquinto)

Dostoiévski Ganha Releitura Criativa e Bem Humorada

the-double-2014-image01

Não é de hoje que o cinema e a literatura caminham juntos. A simbiose entre a narrativa verbal e visual se transformou ao longo dos anos em prática comum entre as duas artes. E é através das adaptações e transcrições literárias, que o cinema nos proporciona o encontro visual com os personagens e os cenários descritos nos romances, que foram construidos por nossa imaginação palavra por palavra, paragrafo por paragrafo, incondicionados por quaisquer que sejam os motivos. O cinema, por sua vez, dá as cores e as formas dos personagens, transformando o que antes tinha sido imaginado em algo visualmente real.

Renomados diretores já adptaram famosos clássicos da literatura mundial, que vão desde Sófocles, Goethe e Shakespeare, passando por Vitor Hugo, Kafka, Proust entre tantos outros.
As obras do escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881) são temas recorrentes nas adaptações literárias para o cinema, seja quando são transcritas para às telas na íntegra, fidedigno ao texto original ou quando foram somente inspiradas livremente na obra. Entre as várias transcrições para o cinema da obra de Dostoiévski, vale destacar O Idiota, The Idiot (1951), dirigido pelo mestre do cinema japonês Akira Kurosawa; Noites Brancas, Le Notti Bianchi (1957), dirigido pelo italiano Luchino Visconti e O Grande Pecador, The Great Sinner (1949), adaptação do diretor norte-americano Robert Siodmak para o livro O Jogador e que tinha no elenco as estrelas Gregory Peck e Ava Gardner.

Uma nova releitura da obra do escritor russo chegou às telas dos cinemas no ínicio do mês no Reino Unido e República da Irlanda, com lançamento previsto para os Estados Unidos para dia 9 de Maio e ainda sem previsão de estréia para o Brasil.  Depois do sucesso de crítica do seu aclamado filme de estréia Submarino, Submarine (2011), o diretor britânico Richard Ayoade traz às telas a adaptação da segunda novela de Dostoiévski, O duplo, de 1846. Além de dirigir a adaptação, Ayoade também escreveu o roteiro em parceria com Avi Korine.

Em O duplo, The Double (2013), Simon James (Jessse Eisenberg) é um homem tímido, pacato, que é negligenciado em seu trabalho, desprezado pela mãe e ignorado pela mulher dos seus sonhos, Hannah (Mia Wasikowska). Vivendo de maneira indiferente e se sentindo impotente frente sua situação, tudo muda de repente quando conhece o seu novo colega de trabalho, James Simon, que para sua surpresa é idêntico a ele. A diferença é que James Simon é carismático, confiante, e bom com as mulheres. Aos poucos Simon James percebe que o seu duplo lentamente começa a assumir sua vida.

Com uma roupagem diferente e traduzindo de maneira à servir ao universo politizado no qual tratava sua obra no início da carreira, o cineasta italiano Bernardo Bertolucci, conhecido por filmes como O Último Tango em Paris, The Last Tango in Paris (1973), O Último Imperador, The Last Emperor (1987), que lhe valeu o Oscar de Melhor Filme e Diretor, e Os Sonhadores, The Dreamers (2002) só para citar os mais populares, também baseou-se livremente na novela do escritor russo como premissa dramática para o filme que rodou em 1968 intitulado The Partner. Realizado durante o auge do movimento estudantil de 1968, o filme narra a história de Jacob, um estudante com idéias revolucionárias cuja existência solitária é abalada pelo aparecimento de seu duplo, que o incentiva a ter um maior engajamento político. Considerado um dos filmes mais radicais do cineasta, Bertolucci inspirou-se pelas teorias de Karl Marx e Sigmund Freud, realizando, dessa maneira, um filme-manifesto que capta os principais dilemas da geração de 1968.

Já Ayoade, não transforma a novela do escritor russo em instrumento político. Ele se mantêm mais próximo da obra, pelo menos no que diz respeito ao mundo que cerca o protagonista tanto no livro quanto no filme. De uma maneira segura e tranquila, o diretor transita sem problemas pela complexidade do trabalho do escritor, onde a característica ambiguidade dos seus personagens, que vivem no limiar psicológico entre a estabiliade e instabilidade, a consciência e a incosciência, a fantasia ou a realidade, estão intrisicamente inseridos na dicotomia existente em toda a sua obra. E sem transpor a linha tênue, que separa os opostos na obra de Dostoiévski, o cineasta dosa de maneira perfeita e eficaz os momentos cômicos e dramáticos, mantêndo-se fiel ao universo Dostoievskiano, conhecido por explorar a autodestruição, a humilhação, a loucura e o suícidio.

Por conseguinte, Ayoade criou a atmosfera ideal para o longa-metragem, dando um certo ar de filme noir à sua adaptação, fazendo transparecer o aspecto soturno e tenso da obra de Dostoyevski. E vale lembrar o trabalho de Jesse Eisenberg, que tem eficiente desempenho na composição do duplo personagem. Há quatro anos, o ator havia ganhado notoriedade por sua atuação como Mark Zuckerberg, um dos fundadores do Facebook, em A Rede Social, The Social Network (2010).

Ayoade demonstrou ser um cineasta talentoso, e sobretudo corajoso, ao trazer para às telas, de forma competente e inteligente, a complexa genialidade de um dos escritores mais importantes do século XIX, que influenciou gerações de grandes nomes da literatura mundial no século seguinte.  Dessa maneira,  Ayoade entra para o seleto grupo de grandes diretores que experimentaram transcrever a obra de Dostoiévski que, sem dúvida alguma, retornou ao cinema em grande estilo, à altura de sua importância.

 (Pedro Giaquinto)

A Bíblia Volta ao Cinema

Noah1

De tempos em tempos, a criação do mundo através do ponto de vista bíblico, é fonte de inspiração e matéria-prima para a produção de épicos filmes no cinema, seja no âmbito orçametário ou no grandioso elenco escalado. O maior número de produções do gênero ocorreu entre os anos de 1950 e 1970. Em 1966, por exemplo, John Huston dirigiu A Bíblia… No Início, The Bible… In the Beginning, no qual narrou os 22 primeiros capítulos do livro de Gênesis.  Cecil B. De Mille rodou um dos que pode ser considerado o mais importante dos filmes bíblicos Os Dez Mandamentos, The Ten Commandments (1956) , estrelado por Charlton Heston no papel de Moiséis. O canastrão ator norte-americano estrelaria ainda outros dois filmes do gênero, Ben-Hur, Ben-Hur (1959) e A Maior História de Todos os Tempos, The Greatest Story Ever Told (1965), este último, orçado em 20 milhões de doláres, quantia astronomica para os padrões da época. O filme italiano Barrabás, Barrabas (1962), falado em inglês e dirigido pelo cineasta norte-americano Robert Fleischer, explorava a crise existencial do crimonoso, interpretado por Anthony Quinn, no lugar do qual Jesus leva a culpa por seus crimes. É impossível não mencionar duas produções que causaram a indiganação de muitos cristãos na época de seus lançamentos. O cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, marxista, ateu e anticlerical, retrata no filme franco-italiano, O Evangelho Segundo São Mateus, Il Vangelo Secondo Matteo (1964), um Cristo severo e inflexível. Já o norte-americano Martin Scorsese tocava, de maneira ainda mais profunda, nas feridas de uma igreja católica conservadora, ao retratar um Cristo repleto de medos e dúvidas, relutante e luxurioso, no aclamado e polêmico A Última Tentação de Cristo, The Last Temptation of Christ (1988).

Cerca de dez filmes sobre o tema, deverão ser lançados nos próximos dois anos. Desde A Paixão de Cristo, The Passion of the Christ (2004), o gênero não tinha sido tão comentado quanto agora.

Noé, Noah (2014), lançado quase que simultaneamente em todo o mundo, é o primeiro da fila. A Paramount Pictures investiu pesado na produção, desembolsando cerca de 125 milhões de doláres para trazer às telonas a epopéia de mais um herói biblíco. Russel Crowe encarna o personagem título. Ele vive com a esposa Naameh, interpretada por Jennifer Connelly, e os filhos Sem, Cam e Jafé, em uma terra desolada, onde os homens perseguem e matam uns aos outros. O Criador desapontado com os homens, dá a Noé a missão de construir uma arca  e lhe recomenda abrigar junto com sua família, um casal de cada espécime existente para salvá-los de um dilúvio que acabará com a vida na Terra. Dessa maneira será possível recomeçar uma linhagem pura, sem os pecados e a maldade que haviam corrompido os homens, apagando de vez as mazelas deixadas pela civilização anterior. O elenco conta ainda com as participações do ator galês Anthony Hopkins e os britânicos Ray Winstone e Emma Watson.

O responsável por dar vida ao herói biblíco nos cinemas é o cineasta Darren Aronofsky. Além de dirigir o filme, Aronofsky assina a produção e também o roteiro ao lado de Ari Handel, que já havia co-roteirizado Fonte da Vida, The Fountain (2006), também dirigido por Aronofsky.

O cineasta, mesmo tendo na bagagem filmes de baixo orçamento como Réquiem por um Sonho, Requiem for a Dream (2000), O lutador, The Wrestler (2008) – filme responsável pelo retorno triunfal do ator Mickey Rourke, que havia desaparecido do cinema na década de 90, após amargar sucessivos fracassos nas telonas – e o excelente Cisne Negro, Black Swan (2010), parece não ter tido qualquer problema em conduzir a trajetória de Noé no cinema. O filme, na verdade, poderia ser tranquilamente dirigido por qualquer diretor do porte de Roland Emmerich, conhecido pela realização de inúmeros filmes castástrofes, repletos de explosões e frenéticas sequências de ação, que por diversas vezes, tornam-se cansativas e intermináveis, mas que se transformaram em grandes sucessos de bilheteria dos útlimos tempos, entre eles figuram: O Dia da Independência, Indenpence Day (1996), O Dia Depois de Amanhã, The Day After Tomorrow (2004) e 2012, 2012 (2009).

Fica evidente que a essência do trabalho Aronofsky, caracterizada por sua genialidade em conduzir a trama e a facilidade na qual nos prepara para o clímax final, parece terem se perdido ao longo de Noé, características estas, compreensivelmente ofuscadas pela utilização dos efeitos especiais em demasia, em grande parte na primeira hora de projeção. O maior exemplo, são os guardiões enviados pelo Criador para ajudarem na construção da arca, que parecem ter sido retirados dos filmes de franquias como Harry Potter ou O Senhor dos Anéis.

Já quando a ação da trama se concentra nos conflitos entre os personagens no interior da embarcação, o filme ganha contornos mais interessantes, nos rementendo mesmo que vagamente, aos instantes que antecediam os momentos finais da personagem de Natalie Portman, em o  Cisne Negro ou a sequência final de Requiem para um Sonho. A  transformação que o personagem Noé sofre ao saber da grávidez da mulher de seu filho, nos remete também aos personagens com tendências autodestrutivas e turbulências psicológicas, presente nas obras anteriores do cineasta. À exemplo do Cristo retratado por Martin Scorsese, o Noé de Aronosfky, não é o Noé descrito na Biblía, como protestam os mais engajados na palavra do Senhor. O Noé que está nos cinemas, não carrega nenhum resquíscio de divindade ou pureza, ao contrário, é um ser radical, impiedoso e obstinado em completar sua tarefa, em nome do Criador, nem que para isso seja preciso matar um dos seus.

E justiça seja feita: jamais Aronosfky conseguiria transcrever cinematograficamente a história de Noé para o cinema, sem a utilização de efeitos especiais, e diga-se de passagem, necessários neste caso. E depois desse grande dilúvio, resta saber se Aronofsky abdicará dos orçamentos milionários, produzindo filmes para um público onde as explosões e os efeitos especias são o que mais importam, realizando dessa maneira, obras de pouca expressão artística, e onde o controle e a aprovação final está subordinada aos grandes estúdios ou retornará aos filmes com orçamentos mais modestos, com histórias bem contadas e personagens melhores desenvolvidos, onde se têm o controle total da obra.  Como já dizia o velho dito popular: “Depois da tempestade vêm a bonança”. E qualquer que seja a escolha de Aronosfky, com certeza ele saberá como desfrutar dela.

(Pedro Giaquinto)

Vida Longa aos Muppets!

MUPPETS MOST WANTED

Em 1955, tem início a Guerra do Vietnã. Elvis Presley fazia sua primeira aparição na TV. O dramaturgo norte-americano Tennesse Williams ganhava o prêmio Pulitzer por Gata em Teto de Zinco Quente. Os Estados Unidos e a ex-União Soviética faziam testes nucleares. O Pacto de Varsória era assinado pelos países socialistas do Leste Europeu e pela União Soviética para formar uma aliança militar. Morria o fisíco alemão Albert Einstein. Nos Estados Unidos, morria a atriz e cantora luso-brasileira Carmem Miranda. Morria, em um acidente automobilistico, o ator James Dean, com apenas 24 anos de idade. O livro Guinness dos Recordes tem sua primeira publicação. Juscelino Kubitschek é eleito presidente do Brasil. Neste mesmo ano, Jim Henson cria o grupo de marionetes conhecido como Muppets. Ainda neste mesmo período, os Muppets fazem sua primeira aparição na TV, no programa Sam and Friends, também criado por Jim Henson e sua mulher Jane Henson.

Já no início dos anos 60, Rowlf, o Cão, torna-se a primeira grande estrela do grupo, se apresentando como convidado em um dos quadros do programa do cantor country Jimmy Dean em The Jimmy Dean Show. No final da década de 60, os Muppets foram convidados para integrarem o elenco de um programa de televisão educacional para crianças, chamado Sesame Street, também criado por Jim Henson. O programa fez tanto sucesso que ganhou versões em diversos países. No Brasil, ficou conhecido como Vila Sésamo. Em 1976, Os Muppets ganham o seu programa televisivo The Muppets Show, onde recebiam convidados ilutstres como: os cantores Elton John e Jonnhy Cash, os atores Peter Sellers, Sylvester Stallone e Roger Moore, o bailarino russo Rudolf Nureyev, a atriz e cantora Liza Minnelli, o trompetista, cantor e compositor de Jazz Dizzy Gillespie entre tantos outros. O progama permaneceu por cinco temporadas na TV americana.

Com o sucesso do programa seria a vez do grupo estrelar seu primeiro filme nos cinemas. Em 1979, é lançado Muppets, O Filme, The Muppet Movie com participações especiais de peso entre elas Steve Martin, Richard Pryor e ninguém menos que Orson Welles. O grupo de marionetes tinha alcançado o cinema e com estilo. Depois deste, outros oito filmes vieram. E agora, quase 60 anos após sua criação, o grupo está de volta aos cinemas com seu mais recente trabalho Os Muppets 2: Procurados e Amados, Muppets Most Wanted (2014), continuação de Os Muppets, The Muppets (2011). Nesta nova aventura Kermit, Miss Piggy e companhia estão em turnê mundial, lotando teatros grandiosos em alguns dos destinos europeus mais badalados, incluindo: Berlim, Madri, Dublin e Londres. Mas a confusão segue os Muppets quando eles se vêem envolvidos em uma criminosa trama internacional chefiada por Constantine — o Criminoso Número Um do Mundo e sósia de Kermit — e seu covarde capanga Dominic, codinome Número Dois. A direção ficou por conta do novato diretor em longas-metragens, o britânico James Bobin, que também assinou a direção do primeiro filme e tem em seu currículo somente trabalhos voltados para televisão como roteirista, produtor e diretor.

O filme, traz o humor habitual do grupo, sem pretensões de ser politicamente correto ou incorreto. Como de costume figuram no elenco grandes nomes nas participações especiais entre eles: Ray Liotta, Saoirse Ronan, Lady Gaga, Tony Bennett, Christoph Waltz, Stanley Tucci entre outros. Há de se notar também, que o grupo mantêm vivo os números musicais em seus trabalhos, gênero este que desapareceu há muito tempo das telas do cinema, ganhando certo fôlego no início dos anos 2000 com filmes como Moulin Rouge – O Amor em Vermelho, Moulin Rouge! (2001) e Chicago, Chicago (2002).

É incrivel como o sucesso de um grupo de marionetes consegue se manter em evidência por tanto tempo. Ainda mais no mundo de hoje, onde a Internet e os tecnologicamente avançados jogos de videogames com suas histórias cinematográficas, hipnotizam crianças, jovens e adultos. Talvez seja pelo carisma dos personagens ou pelas histórias leves que abrangem uma linguagem de fácil assimilação, direcionada, sem excessão, para um público de todas as faixas etárias. Ou poderia ser ainda, pelo simples fato de não utilizarem o humor como ferramenta para atacar determinados setores da sociedade, evitando dessa maneira, vulgarizar o conteúdo da obra com piadas que possam soar exageradas ou sem propósito.

A verdade é que os Muppets continuam encantando gerações. Os pais de hoje que levam os filhos para o cinema, foram os filhos há trinta, quarenta anos atrás. A longevidade do grupo de marionetes o transformou em ícone da cultura popular, sendo corriqueiramente visto em diversos tipos de midias, tais como: videogames, livros, revistas em quadrinhos, parques temáticos, séries para Internet, música, desenhos animados, entre outros. A aposentadoria dos Muppets parece estar longe de acontecer. Em 2004, a Disney adquiriu os direitos do grupo, e consequentemente, outros filmes virão e gerações futuras ainda poderão conhecer o famoso grupo de marionetes.

O filme, teve sua estréia simultânea na Europa e Estados Unidos, no penúltimo final de semana do mês de Março. Já o público brasileiro, terá que aguardar um pouco mais para conferir a nova aventura dos Muppets, que tem estréia prevista no país para o dia 15 de Maio.

(Pedro Giaquinto)