Afinal, qual é o sentido da vida?

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Desde os primórdios da humanidade nos questionamos a respeito da criação do universo e a existência de Deus. À partir destas questões outras surgiram, e entre elas, grandes interrogações, tais como: De onde viemos, porque estamos aqui e para onde iremos. A astronomia, a teologia e a filosofia, têm se esforçado ao longo dos séculos na tentativa de esclarecer estas perguntas, ou quem sabe, parte delas.

De tempos em tempos, um ou outro filme surge nos cinemas para colocar estas questões novamente em discussão.  O mais recente trabalho de Terry Gilliam é o filme da vez. Em O Teorema Zero, The Zero Theorem (2013), Qohen Leth (Christoph Waltz, diga-se de passagem sempre realizando grandes trabalhos) , é um excêntrico e recluso gênio da computação que vive em uma constante crise existencial. Ele trabalha em um projeto para resolver o enigma do “Teorema Zero”, uma fórmula matemática que determinará a razão da existência dos homens e se a vida possui algum sentido. Obcecado por essa missão, ele encontra obstáculos que interrompem seu trabalho, enquanto espera por um telefonema que contém todas as respostas que ele procura.

O cineasta que definiu em seus filmes um estilo visual impactante – talvez devido sua formação como animador e cartunista fotográfico, além de ter sido um dos fundadores no final dos anos 60 do famoso grupo inglês de comédia Monty Python – traz novamente um personagem que carrega dúvidas sobre sua identidade, levando- se a questionar até mesmo sua sanidade. Este é um tópico que Gilliam já havia trabalhado anteriormente em Os Doze Macacos, Twelve Monkeys (1995), quando no ano de 2035, James Cole (Bruce Willis) aceita a missão de voltar ao passado para tentar decifrar um mistério envolvendo um vírus mortal que atacou grande parte da população mundial. Tomado como louco, no passado, ele tenta provar a sua sanidade para a médica Kathryn Railly (Madeleine Stowe), sua única esperança de mudar o futuro.

Em O Teorema Zero, é evidente que encontrar uma resposta para o sentido da vida, não seja a principal preocupação de Gilliam. Quase trinta anos após a realização de Brazil, Brazil (1985), Terry Gilliam explora novamente os perigos de um mundo onde nada é privado e as grandes coorporações controlam as horas de trabalho e a vida privada dos trabalhadores.

Se as discussões sobre o tema há três décadas atrás eram mais acirradas, talvez devido ao momento no qual vivíamos, quando perdurava um conflito de ordem política, econômica, social e ideológica em decorrência do pós-Segunda Guerra Mundial e o período da chamada Guerra Fria, que culminou com a supremacia do capitalismo.

Hoje em dia o tema já não é tão atrativo, haja visto que nos tornamos personagens passivas de um sistema econômico no qual se visa o consumo e o lucro imediato e onde a riqueza e o poder são sinônimos de status. Dirigir o carro do ano, vestir roupas de grifes famosas, ter o último modelo de IPhone e um bem remunerado cargo numa empresa, são pré-requisitos básicos para se integrar numa sociedade capitalista e competitiva, onde ter é mais importante do que ser.

No entanto, a nova produção de Terry Gilliam não ousou em se aprofundar no relacionamento entre o personagem principal e a dominação das grandes cooporações sobre a vida dos trabalhadores. Talvez se o fizesse, o filme ganharia mais dinamismo, provando de uma maneira pouco ortodoxa, que a perda de nossa identidade como individuos, seria uma das respostas do sentido da vida para uma sociedade na qual fomos transformados em reféns das grandes coorporações, que nos bombardeiam dia a dia com suas massivas e agressivas campanhas de marketing nos induzindo ao consumo frenético e à fidelidade eterna. Dessa forma, somos mantidos como escravos de um sistema contra o qual somos impedidos de lutar, porque na verdade somos obrigados a nos manter inseridos nele, do contrário, seremos facilmente descartados e confinados a vagar pela órbita da marginalidade social.

Ao invés disso, Gilliam optou por despediçar muito tempo do filme nas resoluções de equações matemáticas relacionadas ao teorema zero e uma história de amor, que pouco acrescenta ao filme, entre o protagonista e  Bainsley, personagem vivida pela atriz francesa Melanie Thierry, que inegavelmente dá certo charme ao filme. O elenco conta ainda com a participação de Matt Damon e Tilda Swinton.

A julgar pelas severas críticas que o filme recebeu no 70º Festival de Veneza do ano passado, e pela quantidade de pessoas que presenciei deixando a sala de cinema depois da primeira meia hora do longa, Gilliam provavelmente também amargará o fracasso junto ao público.

No Brasil o filme têm lançamento previsto para o dia 27 de Junho.

(Pedro Giaquinto)

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