O Extravagante Mundo de Wes Anderson

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É inegável que alguns diretores criaram de uma maneira ou de outra um estilo próprio para seus filmes, sejam eles do ponto de vista estético ou dramático. Quentin Tarantino é um deles. Seus filmes primam por um roteiro não linear, que por vezes trazem flashbacks descontinuos além de tiroteios sanguinários e trilhas sonoras de músicas escolhidas à dedo, pelo próprio diretor, resgatadas de clássicos da música dos anos 70 ou dos chamados filmes B. O diretor dinamarquês Lars Von Trier é outro nome que ao longo dos anos foi desenvolvendo sua maneira particular de criar e dirigir seus filmes, que têm como principal característica roteiros sempre carregados de forte tensão emocional, vivenciados por personagens densos e que encontram-se a todo instante fora de conexão com eles mesmos e o mundo que os rodeia, numa árdua batalha para vencerem seus medos mais desconhecidos. Um outro examplo é o cineasta norte-americano Tim Burton, que prioriza dentro de suas produções o universo sombrio dos filmes de terror, mesmo quando realiza um filme voltado para o público infantil como em O Estranho Mundo de Jack, The Nightmare Before Christmas (1993), ou no conto de fadas Alice no País das Maravilhas, Alice in Wonderland (2010). Ainda assim, a marca do cineasta é perceptível, seja na ausência de cores ou na supervalorização das sombras, nos fazendo entender a singularidade gótico-moderno contida na sua obra. E dentro dessa galeria de diretores que criaram sua forma pessoal de produzir seus filmes, é impossível não se lembrar de Wes Anderson, que recentemente teve seu mais novo filme, O Grande Hotel Budapeste, The Grand Budapest Hotel (2014), lançado no circuito comercial de cinema nos Estados Unidos e Europa, logo depois de levar o Grande Prêmio do Juri no 64º Festival de Berlim. No Brasil a previsão de lançamento é para o dia 1º de Maio.

O filme conta a estória da amizade entre o concierge de  um grande hotel europeu M.Gustave (Ralph Fiennes) e o seu aprendiz, um jovem carregador de malas chamado Zero (Tony Revolori), no período de intervalo entre as duas grandes guerras mundias. Na trama ambos se envolvem em uma investigação de assassinato, a disputa de uma herança e o roubo de uma valiosa pintura renascentista.

O grandioso elenco conta com Saoirse Ronan, Tilda Swinton, Jude Law, Mathieu Amalric, F. Murray Abraham, Jeff Goldblum, Willem Dafoe, Tom Wilkinson, Harvey Keitel, Edward Norton, Adrien Brody  e o sempre eterno trio formado por Bill Murray, Jason Schwartzman e Owen Wilson, que fizeram vários filmes do diretor.

Em seu novo filme percebemos que Anderson continua lapidando sua maneira de fazer filmes, solidficando de uma vez por todas sua estética visual.  A predominância de cores quentes como o vermelho e o laranja, os diálgos rápidos combinados com uma movimentação de câmera, que por vezes tende ao virtuosismo, aliados à personagens caricatos e enlouquecidos, criam o dinamismo necessário que compõe a homogeniedade na obra de Anderson, que claramente começou a ser desenhada à partir de seu segundo longa-metragem Três é Demais, Rushmore (1998). Três anos mais tarde com o sucesso de público e critica do seu terceiro filme Os Excêntricos Tenenbaums, The Royal Tenenbaums (2001), valendo-lhe uma indicação para o Oscar de Melhor Roteiro Original, foi que o estilo narrativo e visual de Wes Anderson tomou definitivamente corpo e forma. Há de se notar também, que mesmo quando dirigiu a animação O Fantástico Sr. Raposo, Fantastic Mr. Fox (2009), Anderson não largou mão de sua maneira inconfudível de dirigir. E vale ressaltar ainda que Anderson não está sozinho na criação de seu mundo fantástico-imaginário. Ele tem ao seu lado seus fiéis parceiros de longa data entre eles Noah Baumbach, Roman Coppolla e Owen Wilson que frequentemente atuam ou como co-produtores ou co-roteiristas junto com Anderson.

O filme agrada e muito àqueles que se identificam com o universo criado por Anderson, outros pouco familiarizados com os filmes do diretor podem considerá-lo até certo ponto nonsense, mas o que todos haveram de concordar é que falem bem ou falem mal de seus filmes, Anderson tem o mérito de ter criado algo pessoal, uma marca registrada.

(Pedro Giaquinto)

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