Arquivo mensal: março 2014

A Humanização Extraterrestre

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Pode-se dizer que Scarlett Johansson está de volta fisicamente às telas de cinema. Isso porque em seu último trabalho não foi possível vê-la, mas apenas ouví-la em Ela, Her (2013) o mais recente e ótimo trabalho de Spike Jonze. No filme, Johansson interpretou Samantha, a voz do sistema operacional por quem Theodor, vivido por Joaquin Phoenix, se apaixona.

Agora em Sob a Pele, Under the Skin (2013), Johansson é uma alienígina que chega à Terra e começa a percorrer estradas e paisagens desertas em busca de presas humanas. Sua principal arma é sua sexualidade voraz. Com o decorrer dos acontecimentos ela acaba por encontrar outro sentido para sua jornada na Terra.

Em seu terceiro longa-metragem, o diretor britânico Jonathan Glazer, de Sexy Beast, Sexy Beast (2000) e Reencarnação, Birth (2004), mostra-se um cineasta que não pretende estilizar ou tematizar sua obra. Ele parece gostar de se aventurar em diferentes tipos de histórias. Em Sexy Beast, Glazer conta a história de Gail (Ray Winstone), um gangster que resolveu se aposentar do crime e viver com a esposa e amigos na Espanha. Gail vê sua paz se ruir quando é forçado a voltar para o mundo do crime. Já em Reencarnação, Glazer muda totalmente de foco para contar a história de Anna (Nicole Kidman) que dez anos após a morte do marido, reconstrói sua vida e próximo do seu novo casamento, surge um garoto de dez anos dizendo ser a reencarnação de seu marido.

À exemplo de Spike Jonze, Glazer só agora, 14 anos depois de seu primeiro longa-metragem e quase dez anos após o segundo, realiza o terceiro filme em sua carreira. Ocupado com o trabalho na direção video clipes para conhecidas bandas do cenário pop rock munidal entre elas, Massive Attack, Radiohead e Jamiroquai, além de uma extensa lista de companhas publicitárias realizadas para grandes nomes entre eles: Guinness, Sony, Volkswagen, Nike entre outros. Certamente a realização de longas-metragens por enquanto não deva ser a prioridade na carreira de Glazer.

O interessante é que Glazer em nenhum momento se utiliza da linguagem publicitária ou mesmo do video clipe em seus filmes. Se o fizesse, evidentemente não seria algo de se espantar, quando muitos são contaminados pela estética publicitária. Ao contrário, o cineasta se apropia de um cinema mais covencional, ao estilo do cinema realizado pelo austríaco Michael Haneke, que utiliza-se de planos longos e lentos, sem se influenciar por modismos ou acrobáticas movimentações de câmera, além de fazer pouco uso de diálogos.

Embora, Glazer não tenha criado um estilo visual próprio na realização de seus filmes ou até mesmo não tenha a pretensão em seguir determinado gênero ou tema como conteúdo de sua obra, o diretor se mostra extremamente bem à vontade quando realiza seus trabalhos para à telona.

Pode-se notar facilmente algo em comum em seus trabalhos. Glazer não tem pressa alguma em dizer qual é a história que está contando. Ele dá tempo aos seus personagens, deixando que o filme se desenrole num ritmo lento, fazendo com que o público mantenha-se de olhos grudados à tela, esperando que se revele a qualquer momento o verdadeiro motivo por qual os personagens ali estão.

Em Sob a Pele, esse cadenciamento é ainda muito mais perceptível desde a abertura, que remete ao clássico de Stanley Kubrick 2001 – Uma Odisséia no Espaço, 2001 – A Space Odyssey (1968) e nas sucessivas vezes nas quais as ações da personagem principal se repetem, o que na verdade poderá causar depois de algum tempo até certo desconforto, para um público acostumado com filmes mais agitados. E pode ser, que em um ou outro momento, sejam surpreendidos por seus próprios cochilos ou pelos roncos das poltronas vizinhas.

Muitos podem estar se perguntando: o que quer dizer cadenciamento, ritmo lento em um filme onde um ser extraterrestre chega ao planeta Terra? O filme de Glazer não é um blockbuster e engana-se quem vai ao cinema pensando que encontrará efeitos especiais de última geração, explosões ou a dizimação da raça humana por seres interplanetários.

Glazer fez um filme que se desenrola no íntimo da personagem principal, que após realizar bem sucedidas investidas contra suas presas, ávidas por sexo e encantadas com a beleza da alienígena sedutora interpretada por Johansson, são facilmente enganadas e pouco depois dadas como mortas. Em uma dessas investidas, a personagem de Johansson se depara com o autoconhecimento. À partir daí o filme reconstrói o processo de humanização da personagem de Johansson, que acaba por apropriar-se dos sentimentos humanos com os quais jamais tivera contato. E é nesse processo que ela se tornará frágil e vulnerável aos humanos com más intenções, o que certamente custará caro à sua vida na Terra.

Vale ressaltar a coragem de Scarlett Johansson, que se mostra em mais de uma cena completamente nua, quando outras atrizes prefeririam utilizar dublês de corpo. É certo que essas cenas se tornarão uma eficaz ferramenta publicitária para atrair o público masculino, e porque não, até mesmo o público feminino. Entretanto, é justo que se diga que não será somente a nudez de Scarlett o único motivo para se atrair o público. O filme tem o seu mérito ao sair dos usuais clichês de filmes sobre alieníginas, optando por discutir outros temas, ao invés de permanecer no lugar comum dos filmes do gênero.

No Brasil o filme tem lançamento previsto para o dia 8 de Maio.

(Pedro Giaquinto)

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Afinal, qual é o sentido da vida?

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Desde os primórdios da humanidade nos questionamos a respeito da criação do universo e a existência de Deus. À partir destas questões outras surgiram, e entre elas, grandes interrogações, tais como: De onde viemos, porque estamos aqui e para onde iremos. A astronomia, a teologia e a filosofia, têm se esforçado ao longo dos séculos na tentativa de esclarecer estas perguntas, ou quem sabe, parte delas.

De tempos em tempos, um ou outro filme surge nos cinemas para colocar estas questões novamente em discussão.  O mais recente trabalho de Terry Gilliam é o filme da vez. Em O Teorema Zero, The Zero Theorem (2013), Qohen Leth (Christoph Waltz, diga-se de passagem sempre realizando grandes trabalhos) , é um excêntrico e recluso gênio da computação que vive em uma constante crise existencial. Ele trabalha em um projeto para resolver o enigma do “Teorema Zero”, uma fórmula matemática que determinará a razão da existência dos homens e se a vida possui algum sentido. Obcecado por essa missão, ele encontra obstáculos que interrompem seu trabalho, enquanto espera por um telefonema que contém todas as respostas que ele procura.

O cineasta que definiu em seus filmes um estilo visual impactante – talvez devido sua formação como animador e cartunista fotográfico, além de ter sido um dos fundadores no final dos anos 60 do famoso grupo inglês de comédia Monty Python – traz novamente um personagem que carrega dúvidas sobre sua identidade, levando- se a questionar até mesmo sua sanidade. Este é um tópico que Gilliam já havia trabalhado anteriormente em Os Doze Macacos, Twelve Monkeys (1995), quando no ano de 2035, James Cole (Bruce Willis) aceita a missão de voltar ao passado para tentar decifrar um mistério envolvendo um vírus mortal que atacou grande parte da população mundial. Tomado como louco, no passado, ele tenta provar a sua sanidade para a médica Kathryn Railly (Madeleine Stowe), sua única esperança de mudar o futuro.

Em O Teorema Zero, é evidente que encontrar uma resposta para o sentido da vida, não seja a principal preocupação de Gilliam. Quase trinta anos após a realização de Brazil, Brazil (1985), Terry Gilliam explora novamente os perigos de um mundo onde nada é privado e as grandes coorporações controlam as horas de trabalho e a vida privada dos trabalhadores.

Se as discussões sobre o tema há três décadas atrás eram mais acirradas, talvez devido ao momento no qual vivíamos, quando perdurava um conflito de ordem política, econômica, social e ideológica em decorrência do pós-Segunda Guerra Mundial e o período da chamada Guerra Fria, que culminou com a supremacia do capitalismo.

Hoje em dia o tema já não é tão atrativo, haja visto que nos tornamos personagens passivas de um sistema econômico no qual se visa o consumo e o lucro imediato e onde a riqueza e o poder são sinônimos de status. Dirigir o carro do ano, vestir roupas de grifes famosas, ter o último modelo de IPhone e um bem remunerado cargo numa empresa, são pré-requisitos básicos para se integrar numa sociedade capitalista e competitiva, onde ter é mais importante do que ser.

No entanto, a nova produção de Terry Gilliam não ousou em se aprofundar no relacionamento entre o personagem principal e a dominação das grandes cooporações sobre a vida dos trabalhadores. Talvez se o fizesse, o filme ganharia mais dinamismo, provando de uma maneira pouco ortodoxa, que a perda de nossa identidade como individuos, seria uma das respostas do sentido da vida para uma sociedade na qual fomos transformados em reféns das grandes coorporações, que nos bombardeiam dia a dia com suas massivas e agressivas campanhas de marketing nos induzindo ao consumo frenético e à fidelidade eterna. Dessa forma, somos mantidos como escravos de um sistema contra o qual somos impedidos de lutar, porque na verdade somos obrigados a nos manter inseridos nele, do contrário, seremos facilmente descartados e confinados a vagar pela órbita da marginalidade social.

Ao invés disso, Gilliam optou por despediçar muito tempo do filme nas resoluções de equações matemáticas relacionadas ao teorema zero e uma história de amor, que pouco acrescenta ao filme, entre o protagonista e  Bainsley, personagem vivida pela atriz francesa Melanie Thierry, que inegavelmente dá certo charme ao filme. O elenco conta ainda com a participação de Matt Damon e Tilda Swinton.

A julgar pelas severas críticas que o filme recebeu no 70º Festival de Veneza do ano passado, e pela quantidade de pessoas que presenciei deixando a sala de cinema depois da primeira meia hora do longa, Gilliam provavelmente também amargará o fracasso junto ao público.

No Brasil o filme têm lançamento previsto para o dia 27 de Junho.

(Pedro Giaquinto)

O Extravagante Mundo de Wes Anderson

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É inegável que alguns diretores criaram de uma maneira ou de outra um estilo próprio para seus filmes, sejam eles do ponto de vista estético ou dramático. Quentin Tarantino é um deles. Seus filmes primam por um roteiro não linear, que por vezes trazem flashbacks descontinuos além de tiroteios sanguinários e trilhas sonoras de músicas escolhidas à dedo, pelo próprio diretor, resgatadas de clássicos da música dos anos 70 ou dos chamados filmes B. O diretor dinamarquês Lars Von Trier é outro nome que ao longo dos anos foi desenvolvendo sua maneira particular de criar e dirigir seus filmes, que têm como principal característica roteiros sempre carregados de forte tensão emocional, vivenciados por personagens densos e que encontram-se a todo instante fora de conexão com eles mesmos e o mundo que os rodeia, numa árdua batalha para vencerem seus medos mais desconhecidos. Um outro examplo é o cineasta norte-americano Tim Burton, que prioriza dentro de suas produções o universo sombrio dos filmes de terror, mesmo quando realiza um filme voltado para o público infantil como em O Estranho Mundo de Jack, The Nightmare Before Christmas (1993), ou no conto de fadas Alice no País das Maravilhas, Alice in Wonderland (2010). Ainda assim, a marca do cineasta é perceptível, seja na ausência de cores ou na supervalorização das sombras, nos fazendo entender a singularidade gótico-moderno contida na sua obra. E dentro dessa galeria de diretores que criaram sua forma pessoal de produzir seus filmes, é impossível não se lembrar de Wes Anderson, que recentemente teve seu mais novo filme, O Grande Hotel Budapeste, The Grand Budapest Hotel (2014), lançado no circuito comercial de cinema nos Estados Unidos e Europa, logo depois de levar o Grande Prêmio do Juri no 64º Festival de Berlim. No Brasil a previsão de lançamento é para o dia 1º de Maio.

O filme conta a estória da amizade entre o concierge de  um grande hotel europeu M.Gustave (Ralph Fiennes) e o seu aprendiz, um jovem carregador de malas chamado Zero (Tony Revolori), no período de intervalo entre as duas grandes guerras mundias. Na trama ambos se envolvem em uma investigação de assassinato, a disputa de uma herança e o roubo de uma valiosa pintura renascentista.

O grandioso elenco conta com Saoirse Ronan, Tilda Swinton, Jude Law, Mathieu Amalric, F. Murray Abraham, Jeff Goldblum, Willem Dafoe, Tom Wilkinson, Harvey Keitel, Edward Norton, Adrien Brody  e o sempre eterno trio formado por Bill Murray, Jason Schwartzman e Owen Wilson, que fizeram vários filmes do diretor.

Em seu novo filme percebemos que Anderson continua lapidando sua maneira de fazer filmes, solidficando de uma vez por todas sua estética visual.  A predominância de cores quentes como o vermelho e o laranja, os diálgos rápidos combinados com uma movimentação de câmera, que por vezes tende ao virtuosismo, aliados à personagens caricatos e enlouquecidos, criam o dinamismo necessário que compõe a homogeniedade na obra de Anderson, que claramente começou a ser desenhada à partir de seu segundo longa-metragem Três é Demais, Rushmore (1998). Três anos mais tarde com o sucesso de público e critica do seu terceiro filme Os Excêntricos Tenenbaums, The Royal Tenenbaums (2001), valendo-lhe uma indicação para o Oscar de Melhor Roteiro Original, foi que o estilo narrativo e visual de Wes Anderson tomou definitivamente corpo e forma. Há de se notar também, que mesmo quando dirigiu a animação O Fantástico Sr. Raposo, Fantastic Mr. Fox (2009), Anderson não largou mão de sua maneira inconfudível de dirigir. E vale ressaltar ainda que Anderson não está sozinho na criação de seu mundo fantástico-imaginário. Ele tem ao seu lado seus fiéis parceiros de longa data entre eles Noah Baumbach, Roman Coppolla e Owen Wilson que frequentemente atuam ou como co-produtores ou co-roteiristas junto com Anderson.

O filme agrada e muito àqueles que se identificam com o universo criado por Anderson, outros pouco familiarizados com os filmes do diretor podem considerá-lo até certo ponto nonsense, mas o que todos haveram de concordar é que falem bem ou falem mal de seus filmes, Anderson tem o mérito de ter criado algo pessoal, uma marca registrada.

(Pedro Giaquinto)

Um Romance Tecnológico

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Quantidade nunca foi sinal de qualidade. É grande a lista de diretores que têm em suas filmografias inúmeros filmes, o que na maioria das vezes resulta em qualidade duvidosa, onde um ou outro filme se sobressai. Por outro lado, existem aqueles que têm em seus curriculos poucos filmes, mas que construiram uma filmografia sólida, na qual muita das vezes criaram obras concisas, transformando-as em referências de gênero e época dentro da qual foram criadas. Stanley Kubrick foi um deles. Ao longo de sua carreira, foram apenas treze filmes e dentre eles algumas obras-primas, tais como: 2001: Uma Odisséia no Espaço, 2001: A Space Odyssey (1968), Laranja Mecânica, A Clockwork Orange (1971), O Iluminado, The Shining (1980), Nascido para Matar, Full Metal Jacket (1987), entre outros. Certamente Spike Jonze, guardada as devidas proporções, segue um caminho parecido. Sua estréia na direção de filmes de longa-metragem se deu apenas no final da década de 90 com o filme Quero ser John Malkovich, Being John Malkovich (1999). De lá para cá dirigiu somente três outros filmes Adaptação, Adaptation (2002), Onde Vivem os Monstros, Where the Wild Things Are (2009) e Ela, Her (2013). Equivoca-se quem pensa que Jonze seja um cara ocioso, que viva de braços cruzados. Ao contrário, trabalhou duro e construiu toda sua carreira realizando vídeo clipes, curta-metragens, comerciais para a TV, e vez ou outra figurando como ator em alguns filmes. Trabalhou com nomes importantes no cenário da música pop mundial entre eles: Bjork, Chemical Brothers, Fatboyslim, Beastie Boys e Daft Punk. Foi co-criador e produtor da série de televisão da MTV Jackass, co-fundou e editou a revista Dirt, além de ser co-fundador da Directors Label com Chris Cunningham e Michel Gondry. Pelo visto, ociosidade não seria a palavra ideal para descrever os poucos filmes realizados por Spike Jonze durante todo esse tempo. Evidentemente, com tantas outras atividades, fica dificil encontrar tempo para se dedicar integralmente aos filmes de longa-metragem. E somente agora o diretor lançou o seu quarto filme Ela, Her (2013). No filme Joaquin Phoenix vive Theodore, um escritor solitário, que após falhar no seu último relacionamento, acaba por se apaixonar pelo sistema operacional do seu computador Samantha (Scarlett Johansson). Esta história de amor incomum explora a relação entre o homem contemporâneo e a tecnologia.

E não é de hoje que o homem e a máquina têm sido abordados exaustivamente pelo cinema. Desde os robôs que tentam dominar o mundo às guerras cibernéticas relacionadas ao ato de espionagem e violação da segurança nacional.

Jonze, por sua vez, já havia flertado com o tema em seu curta-metragem intitulado I’m Here (2011), onde conta a história de amor entre dois robôs que vivem em Los Angeles. Desta vez, ele quis ir ainda mais longe, aproximando a máquina das sensações e sentimentos mais humanos como o amor, o sexo  e até o ciúmes, trazendo algumas questões, que antes soariam fora da realidade ou formuladas por mentes insanas. Entre elas, a pergunta que inevitavelmente somos levados a nos questionar: Seria possível o ser humano se relacionar afetiva e sexualmente com uma máquina? Se ainda não, só o tempo dirá. E é em um dos momentos brilhantes do filme que esta pergunta poderá ser respondida ou quase. Samantha, percebe algo diferente no comportamento de Theodore prevendo que provavelmente o sexo virtual poderá não ser suficiente e que a relação entre os dois necessita com urgência de algo a mais, ou melhor dizendo, algo real. E dessa maneira Samantha sugere uma terceira pessoa no relacionamento. Se realmente em um futuro próximo começarmos a nos apaixonar por sistemais operacinais de computadores, Jonze talvez tenha criado uma nova modalidade de sexo, alguma coisa como um ménage à trois cibernético.

Diferente dos seus dois primeiros longa-metragens, nos quais a complexidade estrutural dos roteiros ditavam o ritmo do filme, Ela centraliza essa complexidade no intimo das personagens, criando com eficácia uma equilibrada mistura entre solidão, romance e tecnologia.

Se nos primórdios de nossa existência havíamos recebido a denominação de Homos Sapiens por termos um cérebro altamente desenvolvido com inúmeras capacidades como raciocínio abstrato, linguagem, introspecção e a resolução de problemas, hoje não há dúvidas que passamos a viver na era do Homo Digitalis.

No geral, somos reféns da própria tecnologia que criamos e não negamos isso de maneira alguma. Nos dias atuais as pessoas não conseguem viver mais desconectadas. Fazemos tudo com um simples toque no teclado, desde resolver problemas bancários, fazer compras on line, seja uma peça de roupa, um livro, frutas ou legumes e escrever cartas tornou-se algo obsoleto, quando a praticidade de se enviar um e-mail e em questão de minutos obter o retorno, é infinitamente mais prático ao que antigamente leva-se dias. E assim será por muitos e muitos anos até a próxima evolução, seja esta qual for.

(Pedro Giaquinto)