E o Oscar Vai para…

Dallas Buyers Club

Quando Matthew McConaughey surgiu para o cinema, há pelo menos vinte anos atrás, era dado como certo seu successo como ator. Chegou com toda a pinta de galã: corpo atlético, rosto bonito e olhar atraente. Na época, como se não bastasse, foi comparado com Marlon Brando no início de sua carreira. Com todos esses requisitos, os produtores encontraram em McConaughey um ator pronto para encarar os personagens comportados, politicamente corretos, bonitões e apaixonados das superficiais comédias românticas, prontas para encantar as pláteias de mulheres apaixonadas. Flertou também com o cinema de aventura em filmes como Reino de Fogo, Reign of Fire (2001) e Sahara, Sahara (2005). Talvez esse direcionamento em sua carreira tenha afastado McConaughey longe dos olhos da crítica especializada e de personagens densos e mais complexos. Desde seu personagem em Killer Joe – Matador de Aluguel, Killer Joe, (2011), no qual faz o assassino do título, McConaughey vem atraindo os olhos do público e critica. Outros filmes vieram e com eles McConaughey vem colecionando inúmeros prêmios, entre eles: Amor Bandido, Mud (2012) e Obsessão, Paperboy (2012). Sem se esquecer de sua participação como o mentor do personagem de Leonardo di Caprio em O Lobo de Wall Street, The Wolf of Wall Street (2013). O reconhecimento completo e o status de grande ator foi alcançado em seu ultimo trabalho, Clube de Compras Dallas, Dallas Buyers Club (2013), com estréia prevista no Brasil para o dia 21 de fevereiro, que lhe valeu a indicação ao Oscar 2014 de melhor ator. No filme McConaughey interpreta a verdadeira história do eletrecista texano Ron Woodroof que foi diagnosticado com AIDS em 1986. e logo começa uma batalha contra a indústria farmacêutica. Procurando tratamentos alternativos, ele passa a contrabandear remédios ilegais do México. Numa época em que a doença era totalmente desconhecida e que tinha na sua totalidade casos oriundos de grupos de homossexuais e uma pequena porcetagem nos grupos de viciados em drogas injetáveis, McConaughey transmite ao personagem toda a solidez psicológica desde a abrupta descoberta da doença, à posterior aceitação e o forte preconceito que existia na época quando as causas da doença se limitavam aos relacionamentos homossexuais, recebendo o nome de “cancêr gay”.

O filme, como todo o bom filme que conta uma história veridica, cumpre bem o seu papel em mostrar de uma maneira convencional, sem trazer nenhuma inovação narrativa ou técnica, a veracidade dos acontecimentos. Vale destacar a atuação marcante de Jared Leto como o travesti HIV positivo Rayon, que torna-se amigo e sócio de Ron Woodroof na venda de remédios contrabandeados do México. Leto, que estava longe do cinema há exatos quatro anos, período em que se dedicou à sua banda de rock Thirty Seconds to Mars, diga-se de passagem, voltou em grande estilo, recebendo até a indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Leto e McConaughey entraram para o hall dos indicados ao Oscar. Ambos tem concorrentes à altura. Neste ano parece não existir um só favorito e a briga é grande entre os indicados em ambas as categorias. Se prevalecer a tendência da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, McConaughey e Leto têm grandes chances de sairem vitoriosos na noite de entrega dos prêmios. Ambos levaram o Globo de Ouro, ambos interpretaram personagens marcantes que carregam consigo a vontade de transformar suas vidas na medida em que mostram à sociedade que todos podemos reivindicar melhores condições diantes de leis pre-estabelecidas por governos que pouco se importam pelo bem-estar social. E mais: os membros da Academia adoram atores que se entregam de corpo e alma para um filme. McConaughey e Leto perderam respectivamente 22 e 18kg para viverem seus personagens.

Se voltarmos há vinte anos atrás, Tom Hanks foi premiado pelo seu trabalho em Filadélfia, Philadelphia (1993) no qual interpretou um advogado homossexual que é demitido do trabalho por ser HIV positivo. No mais é esperar. Uma vitória McConaughey já obteve: o seu reconhecimento como um ator de talento. Leto só está no lucro: se parou de cantar por enquanto, voltou a interpretar encantando.

(Pedro Giaquinto)

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